Sobre o episódio
No sexto episódio do Genius Talks falamos sobre o impacto social que a IA é capaz de gerar globalmente na saúde.
Descrição
Quando discutimos o avanço da inteligência artificial nas corporações, é muito comum ficarmos presos ao campo teórico ou limitados ao ganho de produtividade dentro dos times de tecnologia. No entanto, qual é o impacto verdadeiro que essa tecnologia pode causar na vida das pessoas quando aplicada em escala global?
No sexto episódio do Genius Talks, o nosso host, Alcebíades Araújo, AI Specialist na Squadra, recebeu Hugo Marques, SMB & Partner Leader & Board Member na Microsoft Elevate, Romulo Cioffi, Chief AI and Innovation Officer na Squadra e Douglas Ramalho, Software Engineer na Squadra, para falar sobre o impacto social que a IA é capaz de gerar globalmente na saúde.
A Operation Smile realiza mutirões mundiais de cirurgias de lábio leporino para crianças em áreas vulneráveis. A organização enfrentava gargalos operacionais e levava meses na fase de triagem dos pacientes, feita totalmente de forma manual em papel. Outro gargalo era o acompanhamento pós-cirúrgico, dessa vez por erros de comunicação em relatórios que eram escritos em diversas línguas e lido em diversas outras, a depende do idioma principal do médico e do enfermeiro local que acompanha os pacientes.
Com o apoio da Squadra, foi desenhada uma solução de automação de processos, classificação de imagens, AI analytics, tradução e modelos conversacionais.
Durante o desenvolvimento do projeto, um obstáculo crítico de engenharia emergiu: os filtros rígidos (guardrails) de segurança da Microsoft impediam que fotos de crianças fossem processadas nativamente pela IA generativa, o que demandou a criação de regras de exceção justificadas pelo propósito do projeto.
Obedecendo a tríade que discutimos no episódio anterior, problema, solução e impacto, chegamos aos resultados:
90% de redução nos erros de tradução e interpretação de fichas;
Aceleração de mais de 15% nos processos cirúrgicos em diversos países, reduzindo o tempo de espera dessas crianças e famílias.
Outro exemplo marcante de como a tecnologia pode salvar vidas em escala foi o trabalho realizado junto à Elizabeth Glaser Pediatric AIDS Foundation (EGPAF).
A instituição foi fundada por Elizabeth Glaser, mãe que adquiriu o vírus HIV em 1981 por meio de uma transfusão de sangue e perdeu a filha para a doença em 1988. Desde então, a fundação atua na prevenção da transmissão do HIV de mãe para filho durante a gestação e amamentação, concentrando grande parte de sua operação na África.
Durante o Hack4Good 3.0, hackathon global realizado pela Microsoft em Seattle em 2025, a Squadra foi a parceira selecionada para criar uma solução de IA capaz de processar o gigantesco ecossistema de dados da EGPAF, que conta com 18 milhões de pacientes cadastrados e bilhões de data points.
Historicamente, profissionais e analistas de saúde em campo precisavam de equipes de TI para extrair relatórios ou aguardavam semanas por novos painéis de BI estáticos para tomar decisões preventivas.
O time da Squadra criou uma arquitetura conversacional resiliente e baseada em agentes especializados de inteligência artificial. Através da solução, em vez de pedir novos relatórios fixos, o profissional da saúde interage com essa IA alimentada pela base de dados da fundação, por meio de linguagem natural, para obter visualizações e análises sob demanda instantaneamente.
A solução, inicialmente implementada no Quênia, rendeu o título de vice-campeã à Squadra, além do projeto de expansão do sistema para mais 12 países, democratizando o acesso a informações vitais de saúde.
“Analisar bilhões de dados para salvar a vida de crianças exige foco no processo e na geração de valor para quem está na ponta. Com a solução, o analista de saúde passa a dialogar diretamente com o conhecimento da organização em linguagem natural.” - Douglas Ramalho, Software Engineer na Squadra.
A inteligência artificial difere de outras ondas tecnológicas passadas porque, além de ter se tornado uma commodity facilmente acessível, ela possui a capacidade de atuar como um amplificador cognitivo.
Através da sua organização não-governamental que atua em Nairóbi, no Quênia, jovens em situação de vulnerabilidade participam de dinâmicas de aprendizado baseado em projetos (Project-Based Learning), utilizando ferramentas de ponta como GitHub Copilot, Minecraft Education e modelos agênticos no Azure AI Foundry para resolver dores reais de suas comunidades.
Essa mesma metodologia vencedora foi trazida para o Brasil em uma parceria entre o programa Microsoft Elevate e a organização Gerando Falcões, liderada por Edu Lyra, chamada COLAI.
Do lado de cá, a Squadra está atuando como ponte de capacitação e contratação em mais uma edição do seu programa de trainee, o New Thinkers, recrutando talentos formados pelo projeto para o seu próprio time de engenharia.
“A IA não veio para eliminar postos de trabalho, mas para incluir mais pessoas no jogo da tecnologia e transformar realidades.” - Romulo Cioffi, Chief AI and Innovation Officer na Squadra
O problema, a tecnologia e o impacto: a tríade de sucesso da IA | Genius Talks #05